Rode para a sustentabilidade

 

As deslocações de curta distância realizadas com o constante recurso ao automóvel têm acarretado diversos impactes sobre os recursos, não só devido ao consumo excessivo de energia, à elevada ocupação do espaço público para estacionamento e circulação do transporte individual, como também devido às várias externalidades negativas, como sejam os impactes sofre o meio ambiente e os recursos naturais.

A par com estes último,s é ainda de salientar os impactes que o aumento de tráfego rodoviário, em particular dentro das áreas urbanas, infere sobre a saúde humana (com o aumento do ruído e a degradação da qualidade do ar), como também nas questões da sinistralidade rodoviária envolvendo peões.

É necessário devolver a cidade ao cidadão e pensar o espaço urbano em função do peão e da bicicleta, promovendo, assim, não apenas comportamentos mais saudáveis, como um maior usufruto e vivência dos espaços.

Assim, a elaboração de uma estratégia de mobilidade sustentável[1] enquadra-se neste desígnio, visto que pretende fomentar deslocações mais amigas do ambiente e do cidadão através da criação das condições para uma adequada integração da bicicleta elétrica no sistema de transportes do Município, o qual inclui as deslocações pedonais e noutros modos suaves.

Nesta perspetiva, o conceito multimodal de deslocações urbanas deverá otimizar não só a utilização da bicicleta elétrica mas também a sua articulação com os restantes modos de transporte, em linha com os princípios de operação de um sistema integrado e inclusivo (in LNEC, 2010).

Rode para a sustentabilidade foi o mote que a Câmara Municipal de Águeda, em parceria com a Miralago, usou para promover a utilização da bicicleta, em particular das novas bicicletas elétricas. Com o objetivo de aliar a inovação à tradição em prol da sustentabilidade, foram disponibilizadas no decurso de um dos maiores eventos da região que decorreu de 3 a 25 de julho – o Agitágueda –, a possibilidade de os seus cidadãos e visitantes experimentarem as novas Bicicletas Elétricas produzidas no Concelho.

Na génese desta iniciativa experimental e inovadora está o objetivo da Autarquia em implementar um projeto piloto que permita a utilização de bicicletas elétricas por todos os munícipes, possibilitando que as suas deslocações na cidade se realizem sem esforço nos arruamentos de maior declive e incentivando a prática de comportamentos mais saudáveis e ambientalmente sustentáveis.

Integrado na Agenda 21 Local de Águeda e no Pacto de Autarcas, este é um projeto que integra uma estratégia de sustentabilidade alargada que, para além de incluir o uso de sistemas que permitam diminuir o consumo de recursos e aumentar a eficácia da sua utilização, envolve a mudança de estilos de vida, conhecimento, avanço tecnológico e fortalecimento do tecido económico local, bem como a melhoria da qualidade ambiental de todos os cidadãos (local e globalmente).

A par com estes aspetos, a iniciativa está ainda enquadrada na intervenção que está a ser efetuada no centro da cidade e que assenta na filosofia que os espaços urbanos deverão ser pensados para inspirar e conectar as pessoas numa lógica de bem-estar social, ambiental e social e que compreende não apenas a criação de mais espaços verdes e de lazer, mas também uma menor utilização do automóvel e maior predominância do peão ou, neste caso, do ciclista.


[1] Mobilidade Sustentável: de uma forma simplista pode ser definida como aquela que, dando resposta às necessidades de deslocação das pessoas, se realiza através de modos de transporte sustentáveis. Sendo que se consideram como transportes sustentáveis aqueles que:

  • Permitem responder às necessidades básicas de acesso e desenvolvimento de indivíduos, empresas e sociedades, com segurança e de forma compatível com a saúde humana e o meio ambiente, fomentando ainda a igualdade dentro de cada geração e entre gerações sucessivas;
  • Resulta exequível, opera equitativamente e com eficácia, oferece uma escolha de modos de transporte e apoia uma economia competitiva, assim como um desenvolvimento regional equilibrado;
  • Limita as emissões e os resíduos ao nível da capacidade de absorção do planeta, usa energias renováveis ao ritmo da sua geração e utilização energias renováveis às taxas de desenvolvimento dos seus substitutos por energias renováveis, ao mesmo tempo que minimiza o impacte sobre o uso do solo e a poluição sonora. (adaptado de Manual de Boas Práticas para uma Mobilidade Sustentável, 2010).

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